Segunda-feira, 30 de Junho de 2008

O Lado B do Sistema Ferroviário Fluminense: A Estação Barão de Mauá

Recapitulando...

No primeiro post desta série que aborda os trilhos que não foram contemplados pela privatização do sistema ferroviário fluminense, mostrei uma prévia de como está a mesma nas mãos da CENTRAL, a autarquia estadual que sucedeu a FLUMITRENS: Abandonada e entregue a incapacidade do governo.

Hoje, vamos mostrar a quantas anda a estação que "homenageia" o pioneiro do transporte ferroviário brasileiro.

A ESTAÇÃO BARÃO DE MAUÁ

Irineu Evangelista estaria mui triste e decepcionado com a situação em que se encontra um de seus maiores investimentos...

O Ilustre Barão de Mauá investiu na construção de uma ferrovia que ligava Guia de Pacobaíba à Inhomirim. Nascia em 30 de abril de 1854 a Estrada de Ferro Mauá.

Em 1926, era feita uma bela homenagem a este nobre empresário...






Era erguido pela Estrada de Ferro Leopoldina (tendo a linha da E.F. Mauá estendida até a recém-inaugurada estação) após dezessete anos de muitas discussões e solicitações de autorização para o início de sua obra. O Governo desejava que a EFL, por meio de sua nova estação, comportasse o tráfego vindo da Linha Auxiliar da EFCB e da E.F. Rio D'Ouro.

A Leopoldina queria que a sua estação servisse somente ao trafégo da própria. E em 1934, a Leopoldina venceu a queda de braço com o governo, que não cumpriu a sua parte em não pagar a parte que lhe cabia na construção da nova estação.

Placa de inauguração da Estação Barão de Mauá pela "The Leopoldina Railway Company" com a presença do Presidente da República Artur Bernardes e do Ministro de Viação e Obras Públicas Eng. Francisco Sá (Próximo a Barão de Mauá, há uma estação com o nome dele).

Por estas plataformas e portões de embarque (Foto abaixo) circulavam pessoas que iam e vinham de localidades como Triagem, Bonsucesso, Olaria, Penha, Vigário Geral, Caxias...

...Gramacho, Saracuruna, Inhomirim e outras entre a Zona da Leopoldina e a Baixada Fluminense. Hoje, apenas são lembranças mescladas com o silêncio, o abandono...

...e o vandalismo imposto a majestosa estação: Toda a sorte de pixações e detritos de natureza orgânica entre suas paredes.

Hoje a Bilheteria contempla a solidão e as plataformas...

...tem servido para abrigar um triste capítulo na história do patrimônio ferroviário fluminense. Esse aí deve ter transportado milhares de passageiros nos ramais da CBTU Fluminense.

O Salão de embarque/desembarque outrora cheio até 2002 servindo como parada final do ramal Gramacho/Saracuruna, hoje convive com o silêncio e a lembrança de uma época de glamour: O Trem de Prata.

Seria este trem um dos que serviram a paulistas e cariocas?? Sendo ou não, é triste ver uma locomotiva a sofrer com a ferrugem e o descaso público.

Até 2002, a Barão de Mauá era a estação terminal do Ramal Gramacho/Saracuruna. Daí em diante, o trecho foi desviado para a Central do Brasil. A Supervia alegou redução dos custos operacionais.

Há projetos de revitalização da estação e uma delas envolve a reativação do serviço ferroviário denominado "Trem de Prata" que ligava Rio de Janeiro a São Paulo em trens de comboio de passageiros. O espaço poderia ser aproveitado também como museu ferroviário, preservando assim o patrimônio e a história do trem brasileiro.

Próxima parada...o Ramal de Guapimirim!

Abraços e obrigado pela sua visita!

Texto e fotos: Luiz Antonio Doria(A Foto do Barão de Mauá é da Wikipédia)
Fonte: Estações Ferroviárias.com e TremdeDoido

Sexta-feira, 27 de Junho de 2008

Cantinho do Busólogo - Enfim, a Rio de Janeiro renova...

Em breve, essa imagem será coisa do passado...

...Quem andou de Torino LN andou, quem não andou...pode pensar em andar no LN da Rio Ita pela 600M Itaboraí x Tanguá via Posse. Por que um novo tempo vem para o Rio de Janeiro (e não é o Cabral que vai sair do governo hehehehehe).

Depois dos UrbanClass chegarem na Rio Minho e Fagundes, agora é a vez da Rio de Janeiro!

Chegaram 7 dos 15 Torinos G7 no chassi MB OF 1722m com 51 poltronas estilo rodoviárias não reclináveis com porta no meio, mais voltada para o eixo dianteiro. Com janelas rodoviárias e sem a posição do cobrador (que é uma pena).

Em breve, os azuis-prateados estarão embelezando as bucólicas paisagens da linha 122Q (Magé x Alcantara) e 123Q (Magé x Niterói). Mas, e a 511Q??

Torcemos que os ventos da renovação sopre também entre a pacata Piabetá e a outrora capital do estado do Rio de Janeiro.

E para encerrar, dois momentos que valem o detalhe:

Detalhe do adesivo na porta de entrada da toda-poderosa de Itaboraí: JESUS CRISTO É O SENHOR E SALVADOR DESTA EMPRESA! Realmente, só Ele para consertar alguns deslizes da Rio Ita.

"O sucesso e o progresso do grupo Rio Ita depende do empenho e dedicação de cada um de nós". Parabéns a todos os funcionários por fazer essa empresa ser o que é, mesmo com erros e acertos.

Abraço e tudo de bom! Que DEUS e o ronco do OF 1722M estejam com os mageenses, gonçalenses e niteroienses usuários da Rio de Janeiro!

Texto: Luiz Antonio Doria e Leonardo Branco

Fotos: Leonardo Branco

Quarta-feira, 25 de Junho de 2008

Motorista: Por que tá faltando?

Reportagem do Jornal "O Dia" informava que empresas filiadas ao SETRERJ estão sentindo na pele a falta de mão-de-obra para fazer os seus coletivos rodarem pelas ruas. Estão chegando ao ponto de ligarem a profissão de motorista de ônibus ao trabalho formal e estável (cartaz abaixo).

Ao mesmo tempo, jornal especializado em empregos apresenta em destaque 110 vagas para motoristas em três grandes empresas da região. E em outra reportagem do Jornal "O Dia" Paulo Valente, Diretor da Santa Maria, mostra uma chave de ignição de um dos vários coletivos a espera de um motorista para dirigí-lo.

Se, por um lado, isso representa uma nova tomada de fôlego por parte do transporte por ônibus - e, por conseguinte, das empresas que o operam -, por outro não resolvem o estigma que a profissão já tinha e vem só acumulando.

Penso por nós mesmos: busólogos, gostamos de ônibus. Será que nenhum de nós já se pensou ganhar a vida pilotando estas máquinas em empresas e trajetos que sempre admiramos? Se fosse para, quem sabe, com empreendedorismo e alguma estrela, termos a glória de quem conseguiu ter uma empresa de ônibus a partir daí - já foi possível, sabemos disso... - ou mesmo ter a chance de viver uma vida digna com um trabalho tranquilo, tenho certeza que esse pensamento teria mais possibilidade de virar realidade.


Mas sabemos que não é assim: motoristas têm que trabalhar prestando atenção no trânsito e no troco (pois agora também são cobradores)...

...Poucas são as empresas que pagam as muitas horas-extras, existe pressão para cumprir horários apertados, aumentar a carga horária...

...carregar mais passageiros que a média, transportar menos gratuidades e usuários de vales-transporte e, em geral, ainda pagam por danos materiais em caso de acidente ou assalto.

O dia que tivermos condições mais dignas, certamente não faltarão profissionais...

Abraços e obrigado pela sua visita ao RELATOS DE VIAGEM ETC.



Texto: Rodrigo Silva, com revisão e informação complementar de Luiz Antonio Doria
Fotos: Luiz Antonio Doria e Rodrigo Silva

Sexta-feira, 9 de Maio de 2008

BASTIDORES DE VIAGEM - Poeira Mineira

Depois de viajar um pouco pelas fotos e pela história de Chiador(MG), Lídice, Serra D'agua e Paraty(RJ) vamos aos bastidores.

Ahhhh, como eu estava feliz nessa foto!!! Também andando no Senior da NORMANDY, só poderia ficar com essa "simpática" expressão! Viva o vovô o...deixa quieto!

Ahhh...isso é um trófeu para ser guardado a sete chaves, já que sabe se lá quando vou voltar a Chiador (Vou voltar sim, afinal de contas tenho que conferir a tal Chiador x Mar de Espanha. Aí, Minervino! Mar de Espanha...Qualquer dia, tamo aí!).

Um exemplo para certas empresas (Ñ vou citar nomes, hehehe): São Geraldo e a vassoura que faz a limpeza do carro que vai e vem pra Chiador. Uma dica: Custe o que custar, não viaje com a janela "escancarada" devido ao trecho "95% terra" em que a empresa opera (5% asfaltada do lado de Três Rios).

E em Chiador...
Eita Bailão bom,sô!!! Mazza & Banda fez a alegria dos chiadorenses. Detalhe é o que vale: Teve Ônibus saindo de Penha Longa às 22h. Será que foi os carangos da São Geraldo acompanhado do CIRB? :)

Não sei vocês, mas...a paisagem no caminho de ida e volta para Chiador é digna de estar em uma exposição de arte sob os mais belos recantos do Brasil.

Hic! Hic! Na volta de Chiador, parada obrigatória em Três Rios no MIL. Haja Ginger, o "Elixir da Virilidade" Hic! Hic!

E enquanto isso, o "02" do RDV. degustava uma Milburger (é a maneira entreriense de se dizer "X-Tudo") já se preparando (ou não) para a sua próxima escala.

Inicialmente, seria uma ida a Muriaé...mas, não sei por que cargas d'agua Andarilho Silva resolveu seguir para o Sul Fluminense.

Abraço e obrigado por sua visita ao RELATOS DE VIAGEM ETC.

Texto: Luiz Antonio Doria
Fotos: Luiz Antonio Doria e Rodrigo Silva

Quarta-feira, 7 de Maio de 2008

Nadando na Serra D'agua rumo a Paraty

Depois de mostrar um símbolo de que o bem sempre vence o mal, através do Distrito de Lídice, o "02" do RDV. foi mais adiante: Rumo a Paraty!

E lá vamos nós: Depois de ir a Rio Claro e ver que nada havia a comentar (mas, acho que teremos o que mostrar futuramente sobre São João Marcos...ops, Rio Claro!), o Andarilho Silva seguiu rumo a Paraty (ou seria Parati), pela linha Volta Redonda x Perequê, da Colitur.

Começamos com as belas paisagens do distrito de Águas Lindas, já em Angra dos Reis...
...e ainda na RJ-155, para em seguida chegarmos a Serra D'agua.

A RJ-155 começa em Barra Mansa e termina no entroncamento com a BR-101 Sul, em Angra dos Reis, passando por alguns distritos como Águas Lindas e Serra D'agua. Também é denominada "Rodovia Saturnino Braga".

Francisco Saturnino Braga foi Engenheiro e Deputado Federal pelo Estado do Rio. É considerado um dos fundadores do que é o DNIT hoje: Foi Diretor do antigo DNER e presidente da Comissão de Estradas de Rodagem, em 1939, durante a gestão de Ernane do Amaral Peixoto. Seu filho, Roberto Saturnino Braga foi deputado federal, prefeito e vereador da cidade do Rio de Janeiro e senador da República.

"Vamos brincar...

Lá perto da usina...". A Usina de Angra I, que na verdade é uma das três usinas da Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto.

Álvaro Alberto da Motta comandou o projeto nuclear brasileiro nas década de 50 e foi o presidente da CNPq, sempre em defesa dos interesses da pátria. A Central Nuclear está localizada na Praia de Itaorna, em Angra.

"...Deixa pra lá...A Angra é dos Reis" :D

E caindo de Pára-Quedas...

...Andarilho Silva chega a Paraty (calma lá! Não é o Silva na foto...mas, não sei se ele gostaria de fazer tal façanha ahahahahahahahahahah).

Para ti ou Paraty?

A cidade teve grande importância no escoamento da produção de metais preciosos do planalto paulista e da região mineira, após o declínio da cana-de-açúcar. O núcleo de Paraty surgiu as margens do Rio Perequê-Açu (Daí o nome do distrito que fica na divisa entre Angra dos Reis e Paraty, Perequê). Núcleo esse que surgiu devido ao contato dos colonos do núcleo de São Vicente com a população indígena de Paraty.

Ahhh, como se respira história por essas ruas! E pensar que por essas ruas circularam muitos rumo ao planalto paulista e mineiro, pois era a única de via de acesso a essas regiões (e hoje os paulistas fazem o rumo contrário hehehehe).

Com a cheia da maré, algumas ruas de Paraty ficam alagadas. Um pouco do Brasil Colônia...

...e lá estava o RDV. :-D

Isso se deve a política portuguesa de não permitir a abertura de outros caminhos, para facilitar a fiscalização da circulação de ouro, fortalecendo ainda mais a posição privilegiada de Paraty, que teve sua condição de entreposto oficialmente reconhecida com o estabelecimento, no sopé da serra, de uma casa de registro de ouro.

O contato com indígenas foi importante na luta contra os franceses e no conhecimento de trilhas por eles abertas entre o litoral e o planalto, destacando-se a que atingia Guaratinguetá, através da localidade de Cunha.

Igreja de Nossa Senhora das Dores, um dos cinco monumentos religiosos de Paraty. Construída em 1800 pela aristocracia, até 1820 ainda não havia sido terminada. Com a decadência da cidade, a igreja ficou abandonada até 1901, quando a Irmandade de Nossa Senhora das Dores, composta somente por mulheres, a reformou. É atualmente conhecida com “Capela das Dores” ou “Capelinha”. Projetada para ter duas torres, apenas uma foi concluída. Na parte de traz da igreja há um cemitério em estilo columbário (com tumbas embutidas).


A substituição do ouro pelo café no século XIX teve, também em Paraty, importante ponto de apoio, servindo este núcleo, em conjunto com Angra dos Reis, Mangaratiba, Ubatuba e outros, de porto marítimo para escoamento da produção do Vale do Paraíba.

O declínio da importância de Paraty ocorre no final do século XIX, com a melhoria da infraestrutura de transporte do planalto, passando o café a ser transportado por via férrea e diretamente conduzido para o Rio de Janeiro.

Paraty é terra de paulistas cheios de simpatia e sotaque carregado, praia, história,cultura...como podemos contemplar a imensidão de sua vasta natureza: litoral recortado e de águas tranqüilas, pela fartura de água potável e pela riqueza da fauna e flora.

A população indígena apresentava-se numerosa na região de Paraty, fato que motivou, desde a primeira metade do século XVI, incursões dos colonos do núcleo de São Vicente em busca de nativos para escravizar na lavoura de cana-de-açúcar.

E as Praias?? Paraty tem várias...
Uma delas é a Praia do Jabaquara.

Praia extensa com acesso pelo caminho que vai ao Forte Defensor Perpétuo e no final dela se avista a Toca do Cassununga, onde há vários sítios arqueológicos e sambaquis, indicando a presença dos antigos povoadores. É famosa por suas lamas medicinais. Também vale destacar a Vila de Trindade, localizada bem ao sul de Paraty (uns 25 km do distrito-sede, fazendo fronteira com Ubatuba(SP)).

E juntamente com Angra dos Reis, Paraty se constitui como um dos mais antigos povoados do Sul Fluminense.

A dica do Andarilho Silva é o Paraty Beach, onde pode se apreciar sucos naturais e boa música.


Como Chegar

Paraty - lugar interessante, gente interessante, música interessante.

Vindo do Rio de Janeiro: Seguindo a Avenida Brasil toda vida até o acesso a BR-101 SUL (Rio - Santos), passando pelos municípios de Itaguaí, Mangaratiba e Angra dos Reis.

Linhas de Ônibus

Rio x Paraty (Costa Verde)
Angra dos Reis x Paraty (Colitur)

Dica do Andarilho Silva: Para quem quiser se aventurar, olha o roteiro mais barato de Paraty para o Rio - não é igual à viagem que fiz:
* Paraty x Perequê - em micro da Colitur ou van da Cooperequê: R$2,60.
* Perequê x Angra, na linha Divisa Paraty da Senhor do Bonfim: R$2,00.
* Angra x Conceição de Jacareí, na linha Divisa Mangaratiba da Senhor do Bonfim: R$2,00.
* Conceição de Jacareí x Itaguaí - em micro da Expresso ou van da Cooperman: R$5,00.
* Itaguaí x Central, em ônibus da Real Rio: R$4,50 (ou um real a mais em Van da SL).
Total estimado: R$16,10 (via Real Rio). Não lembro o preço do Costa Verde, mas certamente é mais que o dobro disso... Mas para fazer este roteiro, prepare-se para um terço do dia sentado, trocando de ônibus... A boa notícia é que os intervalos entre as linhas citadas nunca é superior a 30 minutos.

Vindo de São Paulo:

Há duas alternativas: A primeira é seguir pela Via Dutra até a cidade de Barra Mansa e entrar no acesso da RJ-155 até o entroncamento com a BR-101 Sul, a Rio-Santos. De lá, siga pelos distritos de Águas Lindas e Serra D'agua (Angra dos Reis) até Paraty.

A Segunda é encarar a Via Dutra até Taubaté. De Taubaté siga pela SP-125, passando pelo município de São Luis do Paraitinga até Ubatuba e de Ubatuba siga pela BR-101 Sul até Paraty.

Linhas de Onibus

São Paulo x Paraty (Reunidas Paulista)

Outras cidades que possuem linhas de ônibus com Paraty:
  • Ubatuba e São Sebastião (UTIL);
  • Cunha, Guaratinguetá e Taubaté (Rodoviário São José).
Abraços e obrigado pela sua visita.

Textos: Luiz Antonio Doria, com informações complementares de Rodrigo Silva

Fotos: Rodrigo Silva

Fonte Histórica: Rio de Janeiro e Wikipédia


Segunda-feira, 5 de Maio de 2008

O Circuito das Águas de Minas - Uma viagem pelo Sul Mineiro

Fala, meu povo!!


O RELATOS DE VIAGEM ETC, em parceria com o OnibusS.com/Onibus Cariocas, apresenta o "Circuito das Águas de Minas".

O Circuito das Águas é integrado pelos municípios de Cambuquira, Lambari, Caxambu e São Lourenço. Também fazem parte os municípios de Baependi, Soledade de Minas, Carmo de Minas e Heliodora, além do Vilarejo de Condendas, pertencente ao município de Conceição do Rio Verde.


Como o nome já diz, é uma região onde há muitas estâncias hidrominerais e cachoeiras, rios e lagoas onde a propriedade de suas águas são reconhecidas em todo o Brasil.

Durante as segundas de maio, o RDV. vai mostrar as quatro cidades mais conhecidas desse circuito. E começamos com São Lourenço.

As Águas Santas do Viana, ou melhor dizendo...AS ÁGUAS DE SÃO LOURENÇO

Bem-Vindo a São Lourenço!

E tudo começou Antonio Francisco Viana. Ele descobriu num brejal uma fonte de águas cristalinas fervilhantes.

Ao provar o sabor da água que brotava, viu que era boa e percebeu o poder da que esta fonte produzia a quem provasse suas águas. Logo, os efeitos miraculosos da nascente fizeram com que o lugar se tornasse um grande atrativo para as pessoas que ansiavam por experimentar esse poder mágico de cura.

O local passou a denominar-se Águas Santas do Viana ou, simplesmente, Águas do Viana.

Em 1884, a Estação Ferroviária foi inaugurada. E com ela, o fluxo de visitantes aumentou e a fama sobre as propriedades terapêuticas da fonte também aumentou. Então, em 1890, o Comendador Bernardo Saturnino da Veiga adquiriu o terreno onde hoje estão as termas.


Após obter a autorização do governo para exploração das águas foi fundada a Companhia de Águas de São Lourenço e em 1891, surge uma capela em homenagem a São Lourenço e obras de melhorias no local começaram a ser realizadas (captação de água, o leito do Ribeirão de São Lourenço foi retificado removendo-o da base do morro, onde se acham as fontes, entre outras). Na primeira década do século XX, foram feitas captações de novas fontes, obras de saneamento e urbanização com jardins, balneários e pavilhões para abrigar as fontes.

Com o desenvolvimento e melhorias, foi criado o distrito de Águas de São Lourenço no município de Cristina.

Em 1923, começou o movimento pela emancipação. Mas, 31 anos atrás o município de Cristina foi criado sem foro com dois distritos: Silvestre Ferraz (hoje Carmo de Minas) e São Lourenço do Rio Verde, resultando na transferência de jurisdição do distrito passando da jurisdição de Carmo de Minas para Pouso Alto. Em 1º de Abril de 1927 (não é mentira, uai!) , São Lourenço é criado.

O Parque das águas possui uma área total de 430 metros quadrados e possui sete fontes de água mineral.


O Parque das Águas está dividido em duas partes. Na primeira estão as fontes para degustação, o balneário...

...os jardins, alamedas, gramados, um lago de 90 mil m2 com pedalinhos e a Ilha dos Amores.

O anexo, chamado Parque II, possui quadra de vôlei, futevôlei, futebol society, peteca, pista de cooper e bicicleta, lanchonete e uma exclusividade: Ducha de água mineral sulfurosa!

Os serviços hidroterápicos do balneário incluem duchas escocesas, banho turco, aparelhagem de fisioterapia, massagens geral e facial, limpeza e hidratação de pele, sauna, aplicação de infravermelho, entre outros. Os banhos com água carbo-gasosa são indicados no tratamento de diversas disfunções e também como estimulante para a pele e sistema respiratório. Alguns deles só podem ser experimentados com orientação médica.

Quem administra o parque é uma multinacional que capta,engarrafa e distribui a água que jorra das fontes de São Lourenço para todo o Brasil e para o exterior.

No Centro da cidade há uma feirinha de artesanato, onde se pode adquirir souvenirs da região. Além do Parque das Águas, também se destaca em São Lourenço o prédio da Estação Ferroviária da cidade.

Construída em 1884, realizou o serviço de transporte de passageiros até o ano de 1982. Em 1991, o transporte de cargas foi encerrado e desde 2000 a estação opera no transporte turístico a vapor da ABPF (Associação Brasileira da Preservação Ferroviária, acesse o site clicando aqui). Com 10Km de extensão, o Trem das Águas liga São Lourenço à Soledade de Minas.

Como Chegar

Trem Turístico que liga São Lourenço a Soledade de Minas.

Vindo do Rio de Janeiro: Pegar a BR-116 (Via Dutra) até Engenheiro Passos (RJ). Entrar na BR354, passando por Itamonte, Pouso Alto e pegar as indicações para São Lourenço. Atenção para as placas para o Sul de Minas. Você passará pelas cidades de Itamonte, Pouso Alto. Após Pouso Alto (+ ou - 20km) atentar para o trevo (São Lourenço/Caxambu), deste trevo a São Lourenço você terá mais 11km até o Portal.

Linhas de Ônibus

Rio de Janeiro x São Lourenço (BEL-TOUR)

Vindo de São Paulo: Siga pela Via Dutra (BR-116) até o trevo para Cruzeiro (SP). Desta cidade seguir até Passa Quatro, já no Estado de Minas Gerais. A partir daí a viagem continua por Itanhandu e Pouso Alto. Aproximadamente oito quilômetros depois de Pouso Alto há um trevo para São Lourenço. Aí é rodar mais 14 quilômetros para alcançar a cidade.

Linhas de Ônibus

São Paulo x São Lourenço (COMETA)

Obs.: Algumas cidades de São Paulo possuem linhas para São Lourenço:
Vindo de Belo Horizonte: O acesso mais prático é pela BR-381 (Fernão Dias) até o trevo para Campanha. Daí seguir pela BR-267 e pegar as indicações para São Lourenço, passando preferencialmente por Caxambu.

Linhas de Ônibus

Belo Horizonte x São Lourenço (Viação Gardenia)

Também há a linha Brasília x São Lourenço, operada pela Expresso União.


Abraços e obrigado pela sua visita. Não perca na próxima segunda: Caxambu, lá vamos nós!

Texto: Luiz Antonio Doria, com informações complementares de Rodrigo Gomes
Fotos: Rodrigo Gomes e Jorge Alves Ferreira Jr.
Fonte História São Lourenço: Wikipédia e Estações Ferroviárias

Segunda-feira, 28 de Abril de 2008

Rio Claro e a Tcheco-Brasileira Lídice

Depois de curtir o chiado perene de Minas, o "02" do Relatos de Viagem Etc. seguiu rumo a Rio Claro, cidade localizada a 128Km da Capital Fluminense.

A Cidade conta com os distritos de Rio Claro(sede), Getulândia, Passa Três, São João Marcos e Lídice. Em uma outra oportunidade contaremos um pouco mais sobre a cidade, que tem muito a nos contar.

A criação da cidade está diretamente relacionada ao periodo Imperial do Brasil, pois por ordem do Rei de Portugal foi determinada a criação de uma estrada por onde pudesse passar, longe do mar e dos piratas que nele havia, todo o ouro vindo de São Paulo.

Mas hoje vamos embarcar no Trem da História e contar um pouco sobre o distrito de Lídice!

Lídice: Uma Homenagem ao espírito de Liberdade e Fraternidade

Atendendo ao pedido do Rei de Portugal, o governador da Capitania do Rio de Janeiro determinou a criação desta estrada e para incentivar cedeu lotes de suas terras para os trabalhadores cultivarem. Manoel Gonçalves Portugal, um dos que receberam terras, estabeleceu-se em uma parte da Serra Conhecido como Capivary, obtendo os direitos e deveres de sesmeiro.

Foi neste local que surgiu a fazenda de Santo Antônio do Capivary. Assim, foram se agrupando dentro de um vale todo rodeado de montanhas próximas. Este vale ficava nas proximidades da fazenda Sant' Ana. A partir daí, o então Arraial foi crescendo até que, no dia 8 de maio de 1842, foi sancionada a lei que elevou o arraial à categoria de Vila. Com esta mudança o arraial passou a ser chamado de Vila de Santo Antônio do Capivary (capivari é de origem indígena).

A Ponte sob o Rio Parado. Apesar desse nome, o rio nunca para!

Antes de receber o honroso nome de Lídice (A Lídice original fica na República Tcheca),a cidade teve ainda outro nome: Vila do Parado, nome este dado pois existe um rio (rio Parado) que corta a localidade.

Se não fosse um trágico acontecimento, Santo Antonio do Capivary ainda teria esse nome. Mas, em 1942...

...Em 27 de maio de 1942, Reinhard Heydrich, então designado como Protetor do Reich na Boêmia e Morávia e conhecido na região pela sua política (Peitsche und Zücker, traduzindo, Chicote e açúcar), área ocupada pelas tropas nazistas há mais de três anos, dirigia-se da vila onde morava para seu escritório no centro de Praga, capital do país. Numa esquina perto de seu local de destino, o carro em que viajava foi emboscado a tiros por dois integrantes da resistência tcheca, treinados na Inglaterra e lançados de pára-quedas sobre a Tchecoslováquia.

Atingido pelos tiros no atentado, o oficial da SS protegido de Himmler e Hitler e um dos mais cruéis da SS, um dos idealizadores da Solução Final(A Solução Final, ou Endlösung, nada mais era que o plano de extermínio da comunidade judaica), morreria uma semana depois de infecção generalizada no hospital.

Em 10 de junho de 1942 após levantamento feito pela Gestapo, que colheu indícios de que os participantes do atentado a Heydrich estivessem escondidos na aldeia de Lídice, Hitler ordena ao substituto do Heydrich que fizesse de tudo e não poupasse vidas para achar os responsáveis pela morte do oficial nazista e se vingar dos tchecos. E infelizmente, assim ele fez.

A pequena vila de Lídice, uma comunidade dedicada à mineração, perto da capital, foi cercada por tropas nazistas, impedindo a saída de seus moradores. Todos os habitantes homens com mais de quinze anos foram separados de mulheres e crianças, colocados em um celeiro e fuzilados em pequenos grupos no dia seguinte.

As mulheres e crianças da cidade foram todas enviadas para ocampo de concentração feminino de Ravensbruck, onde a grande maioria viria a morrer de tifo e exaustão pelos trabalhos forçados.

Após o assassinato e o desterro de toda a população, a cidade inteira foi demolida por explosivos e deixada apenas em terra, aplainada por tratores. Os alemães espalharam grãos e cevada pelo chão de toda a área para transformá-la em pasto e a riscaram dos mapas da Europa.

Cerca de 340 habitantes de Lídice morreram no massacre alemão, 172 homens, 60 mulheres e provavelmente 88 crianças. Ainda de quebra a Vila de Lezaky, vizinha a Lídice, também foi destruída e seus habitantes executados. Não contente, mudou o curso do rio e aterrou a cidade, que sumiu do mapa.

Mas os algozes de Heydrich estavam escondidos em Praga, capital da República Tcheca. Jan Kubis e Josef Gabcik, integrantes de um movimento ligado a resistência Tcheca, estavam na Igreja de São Metódio. Eles cometeram suicídio quando ficou evidente a impossibilidade de escapar do cerco da SS contra o local onde se escondiam.

Em 10 de junho de 1944, o Distrito de Santo Antonio do Capivary teve o seu nome alterado para Lídice, atendendo a uma tendência dos países aliados em homenagear aquela que representa a crueldade do ideal nazista contrariando Hitler, que fez de tudo para que ela fosse esquecida. Acima, vemos o Monumento em Homenagem a Lídice Tcheca. A Fênix que simboliza o renascimento da vila de Lídice em solo brasileiro.

Placa indicativa da homenagem dada a Aldeia de Lídice, Datada de 17-09-1942

Em 1996, o Presidente da República Tcheca, Václav Havel visitou o distrito de Lídice e sua visita foi registrada.

Através desta placa em que exalta os heróis que trabalharam e trabalham em prol do ideal de liberdade e a nação tcheca, que se faz presente na cidade.

Aliás, o que mais se nota é a presença e influência Tcheca na localidade.

Reparem nos ornamentos típicos da Igreja Ortodoxa na arquitetura desta paróquia. E não é só isso...

O Complexo Administrativo de Lídice também abriga o Centro de Integração Cultural Brasil - República Tcheca, onde se pode conhecer um pouco mais sobre a cultura tcheca: Marionetes, quadros e exposições diversas sobre o mesmo.

Como Chegar

Vindo do Rio de Janeiro: Pegar a Rodovia Presidente Dutra até o município de Piraí até o acesso a RJ-139 ou pela RJ-145, chegando a Passa Três. De Passa Três, siga pela RJ-155 até chegar em Lídice passando pelo Centro de Rio Claro.

Linhas de Ônibus

P551 Barra Mansa x Lídice: A passagem custa R$ 8,65 e a viagem chega a durar 1h30 (Colitur)

Vindo de São Paulo: Pegar a Rodovia Presidente Dutra até o município de Barra Mansa. De Barra Mansa siga pelo acesso a RJ-155 passando pelo distrito de Getulândia e adentrando rapidamente pela RJ-139, para em seguida seguir novamente pela RJ-155 até Lídice.

Linhas de Onibus

Recomenda-se pegar a linha São Paulo x Barra Mansa (Cometa) e pegar o Ônibus da Colitur saindo de Barra Mansa.

Abraços e obrigado por visitar o RELATOS DE VIAGEM ETC.

Texto: Luiz Antonio Doria, com informações complementares de Rodrigo Silva

Fotos: Rodrigo Silva


Fonte Histórica: Wikipédia e
Rio Claro Guia